Dicas Último Capítulo para Escritores:

  Seção 2 – Estética:

Essa seção contará com os tópicos:

  • Estilo de fala
  • Enchimento de linguiça

 

Estilo de fala:

  • Como escritor, você deve desenvolver um estilo próprio. Nunca, jamais, existirá um escritor com o exato mesmo estilo do outro, não importa por quanto tempo tenham escrito juntos, ensinado e aprendido um com o outro. E até mesmo o seu estilo está sempre se modificando, refletindo sua experiência a medida que ela evolui. E uma parte muito importante do seu estilo, é escolher como os seus personagens vão falar. Aqui vão alguns exemplos que já encontrei por aí:

 

  • O estilo americano de fala, dito entre aspas”. Pessoalmente, esse é um que eu não curto. Aspas para mim são um jeito de dizer em silêncio, de dar voz aos pensamentos íntimos dos meus personagens, e usar aspas o tempo todo me dá a impressão de que a história está acontecendo dentro de um sonho. Ainda assim, esse estilo sem travessões é uma escolha muito comum – mais do que eu gostaria. Esse estilo torna a escrita fluida e trás uma estética bonita e aparentemente ponderada, porém levemente maçante, já que torna os parágrafos mais longos, e difíceis de ler.
  • O estilo brasileiro tradicional, depois do travessão. Esse todo mundo conhece, e é o que eu mais uso. Porém ele tem suas particularidades que interferem na estética da história:
    • O personagem fala – Há uma rubrica – O personagem torna a falar.

Para mim, esse é um estilo muito útil, já que, muitas vezes, durante a nossa fala, nós estamos agindo. E como nossos personagens são seres que vivem e respiram como nós, eles não poderiam ser diferentes.

  • -Fala do personagem – Rubrica.

 

Esse também dá um efeito bem agradável na estética, porém, o item abaixo me preocupa um pouco.

  • -Fala do personagem #1 – Rubrica.

-Fala do personagem #1.

 

Esse estilo acima me preocupa de certa forma. A menos que o autor deixe claro que aquele personagem voltou a falar, é muito difícil adivinhar quem está com a palavra, principalmente se o diálogo contar com três ou mais pessoas.

  • -Fala do personagem muito longa.

Descrição de uma ação.

“Continua a fala do personagem”

 

Essa é uma forma inventiva de retomar a fala do personagem, deixando claro que é ele que continua a falar. O Ciclo da Herança e Harry Potter são duas séries incríveis que utilizam desse recurso.

 

Enchimento de lingüiça

 

  • É aqui que os escritores mais experientes me lincham. O importante acerca de uma obra não é o seu tamanho, e sim o seu valor enquanto literatura! Bem, meu querido amigo, o que você acabou de dizer, podia ter sido dito desse jeito: O importante sobre um livro é o valor literário. Queira você ou não, querido colega, o enchimento de lingüiça faz parte da nossa realidade diária, e é o que encorpa e torna o valor da nossa obra maior.

Na grande maioria das vezes, uma frase que poderia ser resumida, não é, digamos assim, “digna” o bastante. É simples demais para um certo momento importante da trama, ou simples demais até para um momento banal. Não fornece suspense, não fornece indignação, não fornece nada! E se não fornece nada, o que estou fazendo aqui? Sou um escritor horrível! Vou desistir e cavar uma cova para enterrar esse romance! Mas espere, meu amigo! A vida não acaba aí. Quando sua descrição fica pequena, e seus diálogos parecem intermináveis e sem vida, sem emoção, não tema! Adicionar alguns sinônimos pode salvar a sua vida, tanto esteticamente quanto em relação ao conteúdo.

Esteticamente você diz? Sim! Um romance de prosa possui duas partes: O diálogo, e a descrição. Se você se render apenas ao diálogo, seu romance se transformará em roteiro, ou em um texto teatral. E até mesmo estes possuem rubricas que indicam que os personagens não estão congelados enquanto dizem o que devem. E você nunca fica parado enquanto fala, certo? Pense em manias para os seus personagens. Se inspire em você, ou em pessoas ao seu redor. Esfregar as mãos nervosamente, olhar ao redor, andar em círculos, olhar direto nos olhos, cada um tem o seu jeito de falar, e o mesmo vale para outras ações. Temos nossas manias, ao comer, ao dormir, ao acordar, ao ouvir, ao lutar com um zumbi, ao navegar uma caravela, ao iniciar uma revolução, e para tornar o seu livro mais real – e esteticamente mais viável – encontrar essas manias é uma ótima pedida.

OBSERVAÇÃO OBSERVANTE A SER OBSERVADA: Não foi dito em momento algum que todo o seu livro deve ser um enchimento de lingüiça desatado. Engrossando uma frase magra, você será capaz de ter novas ideias acerca daquele assunto, e talvez assim, prosseguir com a descrição. Ser repetitivo demais também não leva a nada. Em sumo: Seja moderado.

E aí? O que achou? Conta aí!

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