RESENHA // Dezesseis Luas

**ATENÇÃO: O artigo a seguir pode conter spoilers sobre o livro Dezesseis Luas de Margareth Stohl e Kami Garcia (Editora Galera)**

O livro estava barato, e a sinopse era bacana, então resolvi comprar. Mas ele não era minha prioridade. Ficou por muito tempo entre o meu intocado Coração de Tinta e os intermináveis livros do Diário da Princesa. Então o filme estava para vir, e eu queria assistir, porém me recusava a vê-lo sem ter lido o livro. Então o adiantei na minha ordem devido à iminência do dia da estreia.

Já tinham dito que o começo do livro era maçante, e realmente, estavam certos.

O livro conta a história de Ethan Wate, que mora numa cidade de interior, cuja mãe acabou de morrer, e cuja narração te faz ter vontade de se matar durante quase 100 páginas. Quer dizer, não que eu esperasse algo diferente. Duas mulheres escrevendo sob a percepção de um homem não podia dar em boa coisa, assim como seria se a situação fosse invertida. Quando os escritores vão aprender que não fomos feitos para compreender um o sexo do outro?!

Enfim, durante as primeiras 100 ou 150 páginas, Ethan discorre sobre sua criação em Gatlin, uma cidade pequena do Sul, dotada de uma população preconceituosa e maçante, da qual ele falou e falou e falou. Se eu tivesse pulado essas primeiras páginas, jamais sentiria falta, porque tudo isso volta a ser reinterado no decorrer da história. E o engraçado acerca de Gatlin é que parece que lá, ao invés de astros de rock e atores de Hollywood, as pessoas idolatravam a Guerra Civil, mesmo que o Sul tenha perdido para o Norte. Ethan reclama disso também. Ele reclama de quase tudo, apesar de ser um dos garotos mais populares da escola. Ou seja, poderia ser pior, e esse pensamento me assusta.

Então surge ela. Sim, ela. Lena Duchannes. Deus abeçoe essa personagem, porque se ela não chegasse, Ethan nunca calaria a boca. E além do mais, a garota tem não só estilo, mas garra. Ela chega numa cidade nova, vestida de uma forma diferente – que nesse caso, é apenas vestido com all-star – e não tem vergonha de mostrar presença. Todos ficam interessados é claro. Uma garota nova – e linda como ela! Só há um problema. Lena é sobrinha do bicho papão da cidade, Macon Ravenwood, o recluso da cidade, que não é visto há mais tempo do que Ethan consegue se lembrar.

Depois de babar por Lena por algumas páginas, ele quase a atropela na estrada no meio da chuva e depois dessa cena é que a amizade deles começa a se desenrolar. O problema é que, logo nesse começo de amizade, Lena logo deixa claro que há alguma coisa de errado com ela. Ela não faz nem ao menos questão de esconder – o que eu considero uma falha, senão do personagem, das autoras.

Acontece que Lena, e todas as pessoas de sua família, são Conjuradores, no caso, bruxos. Porém uma maldição jogada sobre um casal mais azarado do que Katniss e Peeta de Jogos Vorazes, Genevieve e Ethan (E não é uma coincidência. Esse é o tataratio de Ethan. É uma longa história), e agora, aos 16 anos, ao invés de escolherem as Trevas ou a Luz, eles são forçados a um ou outro caminho, sem livre arbítrio, do que Lena, quando tem a chance, também reclama o tempo todo. E, em um curto espaço de tempo, eles precisam estar separados, a menos que encontrem uma forma de deter a maldição.

Um aspecto irritante do livro, é a forma que qualquer coisa mágica é dita com letra maiúscula. Conjuradores, Luz, Trevas, Biblioteca (dos Conjuradores), Cozinha (a cozinheira invisível da casa de Lena), Conjuro, Livro das Luas, entre outras variações.

Salvo a irritação que certas coisas me concederam, a história é razoavelmente boa, e o amor deles é incrivelmente bonito, porém não é, como estão dizendo “O novo Crepúsculo”. Até porque, para começar, eles tem 15 anos e nenhum deles é um vampiro. Além do mais, Ethan não é perfeito – nem perto disso – e Lena também não é idiota – nem perto disso. Ambos são personagens muito interessantes.

As autoras trabalham bem em conjunto, assim como a mãe e a filha Kristin e P.C. Cast, embora as primeiras sejam mais organizadas e sua narração seja uma pouco menos pessoal. Há muitas citações à Guerra Civil dos Estados Unidos e à escritores e poetas clássicos – especialmente O Sol é Para Todos.

Para quem espera um livro com muita ação e aventura, você vai se decepcionar. Toda a história se passa na tediosa cidade de Gatlin, embora alguns eventos te deixem o coração na boca. Amantes de fantasia – especialmente órfãos de Harry Potter – podem gostar bastante, assim como eu. Românticos também, a menos que não estejam preparado para o grande rol de cenas mágicas e irreais do livro.

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