RESENHA // As Vantagens de Ser Invisível

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**ATENÇÃO: O artigo a seguir pode conter spoilers sobre o livro As Vantagens de Ser Invisível de Stephen Chbosky**

Preciso dizer que isso não é uma resenha normal. A verdade é que eu não quero que vocês leiam – porque o vínculo que fiz com essa história é extremamente forte, e, um pouco egoistamente (isso ao menos é uma palavra?!), estou com medo de dividi-la. Mas ao mesmo tempo, quero que vocês leiam, para que vocês se sintam como eu me senti ao terminá-lo. Talvez então você entenda. Talvez você saiba como é se sentir infinito.

A grande verdade é o personagem principal desse livro é o personagem mais – por falta de palavra melhor – perdido que você jamais vai ter a infelicidade de conhecer. Ele vai fazer você rir pela sua estupidez, e vai fazer você chorar com a sua inocência que ao mesmo tempo denota uma maturidade que muitas pessoas adultas possuem, apesar de ele ter apenas 16 anos. Mas depois tudo vai fazer sentido, então finalmente você vai entender. Vai se sentir infinito.

Esse livro não é um dos meus favoritos, embora seja um que tenha me influenciado mais do que qualquer coisa que eu tenha lido em muito tempo – e isso inclui Guerra de Tronos, que me afetou mais do que eu gosto de dizer. Não consigo explicar. Não é um dos meus favoritos. É apenas meu.

A questão é que Stephen Chbosky não gosta de detalhes, de intrincados, de meias palavras, de extrapolar ou de pecar por falta. Ele escreve em formato de cartas, o que é fácil e articulado de ler. Não há muitos diálogos, mas sempre há ação acontecendo. Como não tem mais do que 200 páginas, nunca há um momento em que você está entediado, ou que nada está acontecendo. Tudo é importante para Charlie. Ele gosta de refletir sobre as coisas, mas não se demora nelas, e caso se demore, suas “charlices” – como chamam seus amigos – nos fazem rir e nos esquecer da filosofia por trás de tudo.

Mas nem tudo são flores no reino da Dinamarca. Eu já tinha tentado ler este livro quando mais jovem e fui forçada a abandoná-lo. Tem cenas explícitas, e embora possa não parecer nada demais à algumas pessoas, podem abalar bastante. Há estupro oral, estupro infantil – embora não tão explícito – , sexo, gravidez na adolescência, violência doméstica, vício em bebida, cigarros, maconha, e Charlie chega até a experimentar LSD – embora ele não tenha gostado e prometido nunca fazê-lo de novo.

O engraçado sobre o livro é que, apesar de o livro se passar quase 20 anos atrás, nada impede que isso aconteça com qualquer um de nós. Não há nada fantasioso sobre isso. Não há idealizações, não há personagens bons ou maus, mocinhos ou anti-heróis, preto no branco. Não há maniqueísmo. São todos cinzentos. Medianos. Essa é a descrição perfeita de Charlie. Mediano. Aurea mediocritas, em latim, alma mediana. E é bonito como Charlie supera todos que o trataram mal, e consegue ser um bom amigo apesar de tudo.

Se decidir ler, esteja preparado. Não é uma história de Era uma vez, e nem de Felizes para Sempre.

Mas talvez se você o ler, um dia você entre num túnel, com seus amigos, uma boa seleção de músicas e um sorriso no rosto e pense:

Eu me sinto infinito. 

Talvez seja o que todos queremos afinal. Nos sentirmos infinitos.

“A gente aceita o amor que acha que merece, Charlie.”

                                                                                                              – Bill.

Um comentário sobre “RESENHA // As Vantagens de Ser Invisível

  1. Evandro Cesar Fadel disse:

    Texto ótimo e agradável. Certeza de que ainda ouvirei falarem muito de você.
    Quero ler o livro. Você me empresta? Gostei do “egoistamente”. Aumentou meu vocabulário. Eu achava que existia apenas “egoisticamente”.

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