Flores de plástico não morrem

Tenha a idade que tiver, se você mora no Brasil – e não está exilado em uma ilha há uns 30 anos – você provavelmente conhece os Titãs e a Marisa Monte.

Talvez você saiba que, em parceria, eles cantaram e gravaram a música “Flores”, que parece ter feito muito sucesso – se eu a conheço, acredite, deve fazer um baita sucesso.

Bem, a questão, é que é uma música dançante, com um ótimo background, e um refrão que pega. Ao ouvi-la pela primeira vez, você já tem uma pequena ideia de que ela é profunda, mas honestamente, você já parou para pensar acerca do significado de uma música? Já encontrou algo que não havia encontrado pela primeira vez?

Mas porque estou falando disso? Todos os artistas envolvidos na criação dessa música estão habituados a letras complexas, e de significado não tão facilmente acessível. É assim que eles conquistam sua plateia.

Um dia, sem nada para fazer, sozinha com meus fones de ouvido, escutei essa música à fundo. Debulhei-a. Escutei até que soubesse todas as palavras decoradas. Imaginei que elas fossem poesia e que eu tivesse que interpretá-la. E me surpreendi com o resultado.

Acontece que a música fala sobre um suicídio. Já tinha notado isso?

Preste atenção:

  • O eu-lírico (modo professora de literatura on) não se reconhece mais, e tem picos de emoções:

Olhei até ficar cansado

De ver os meus olhos no espelho

Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro…

  • Não tenho certeza sobre essa parte: Cortou os pulsos? Um acidente? Talvez, talvez. Sobre as flores no telhado e embaixo do travesseiro, bem, este é o caixão. 

Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
Embaixo do meu travesseiro…

Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo…

  • O eu-lírico quer dizer que o tempo vai curar tudo, e que mesmo que ele (a) tivesse sobrevivido, o gosto do soro seria de lágrimas. As flores do enterro cheiram à morte. 

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes…

  • Não perca agora: Aí vem a melhor parte da música: As flores de plástico não morrem. O que nunca esteve vivo, não pode morrer. 

Flores!

Flores!
As flores de plástico
Não morrem…


Gostamos, nós, brasileiros, de sermos cidadãos críticos e questionadores – pelo menos, eu gosto. Mas quantos de vocês já tinham parado para analisar esta música?

E quantas músicas haverão lá fora, com seu significado afogado em um bom ritmo?

 

E aí? O que achou? Conta aí!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s