RESENHA // Somos tão jovens

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**ATENÇÃO: O artigo a seguir pode conter spoilers sobre o filme Somos Tão Jovens (2013)

Um dia, minha professor perguntou se eu podia tocar uma música que estava no livro na sala de aula. Não porque eu seja boa no violão nem nada, mas porque eu me ofereci.

A tal música se chamava Será, da Legião Urbana.

É importante ressaltar, como uma boa escritora que sou – ou gosto de pensar que sou – o background, o plot, os bastidores da história. Meu conhecimento da música brasileira não ia muito além do que ouvimos nas rádios hoje em dia – o deprimente sertanejo que vai de mal a pior – e dos sambas-canção do meu pai. Conhecia, sim, e gostava, de Titãs, Blitz, mas principalmente de Capital Inicial. Mas todas elas eram poéticas demais para mim, então eu ficava nas minhas modinhas americanizadas confortáveis e agradáveis e com as trilhas sonoras de desenhos animados.

Ao procurar a letra da música, reconheci Renato Russo no vídeo. Já tinha visto gifs (imagem animada) daquela música no Tumblr, e me lembrava vagamente da notícia da morte dele.

Ouvi a música, toquei para a sala. E ainda assim, mesmo que eu nem ao menos tenha baixado a música, a ponte do final nunca saiu da minha cabeça.

Brigar pra quê
Se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a mais
Eu e você?

E aquele pequeno trecho, mesmo tendo sido escrito muitos anos antes da minha juventude, era tão atual que me deixava intrigada. Podia então, existir um meio termo entre a descultura total e a cultura difícil demais para entender?

Um bom tempo depois assisti ao filme O Homem do Futuro com Wagner Moura, outro filme brasileiro que só tenho palavras para elogiar, e em breve devo também resenhar. Tinha como música tema da música Tempo Perdido. Virei fã. A música não saia da minha cabeça, embora eu só soubesse a frase “Então me abraça forte…”. Essa música me inspirou um novo projeto de escrita. E, ao procurar a letra, lá estava a Legião Urbana.

A Vivo fez um comercial para homenagear os casais cada vez mais conectados do Brasil. Ele consistia em um clipe para a música Eduardo e Mônica. Aquela música era simplesmente perfeita. Era uma história. Era o que exatamente o que a música devia ser quando foi criada. Com pé e cabeça, começo, meio e fim. Faroeste Caboclo. Como explicar? Deixemos isso para quando o filme baseado na música estrear.

Então quando o filme da Legião Urbana saiu, depois de uma super recomendação do meu pai, fui assistir.  Não me arrependi.

Me sinto no dever de dizer, em primeiro lugar, Thiago Mendonça, meus sinceros parabéns. Não tive a chance de conhecer – Nem mesmo por tela – Renato Russo antes que ele morresse. Mas ainda assim estou segura para dizer que a sua atuação por despida de quaisquer falhas. E não só a ele. Todo o elenco estava impecável.

O filme é sensível, e, apesar de biográfico, tem um gosto fictício que gostamos de ver. É respeitoso, não agride nenhum dos artistas em nenhum aspecto, e conta a história da mesma forma que as brilhantes letras de Renato tinham o dom de fazer. Nos divertimos com o Aborto Elétrico, até a sua divisão em Legião Urbana e o que se tornará depois, pasmem, Capital Inicial.

Não há nenhum dos elementos nesse filme que remeta a um filme brasileiro. O filme todo é regado a punk-rock, frases em inglês, pessoas que viajam  e uma história diferente das que geralmente se veem do tempo da ditadura. Não há sexo – pelo menos não explícito -, não há palavrões excessivos, e não há piadas forçadas. É apenas a história.

Em apenas uma palavra, o filme e a banda:

Brilhante.

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