RESENHA // A menina que roubava livros

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**ATENÇÃO: A resenha à seguir pode conter spoilers de A Menina que Roubava Livros, de Markus Zuzak (Editora Intrínseca).

Em primeiro lugar, eu não queria ler esse livro. Prefiro evitar histórias tristes e, acima de tudo, evitar literatura do período da Segunda Guerra Mundial, porque elas NUNCA terminam bem. Mas devido à um erro de cálculos, fiquei sem livros durante uma viagem e ele foi meu escape.

Em segundo lugar, gostaria que o leitor incauto que está pensando em ler esse livro tenha em mente que esse, como os melhores livros da vida, tem o poder de melhorar significantemente ou arruinar totalmente sua vida.

Você foi avisado!

A história, como diz a contracapa, é narrada pela Morte. É de se pensar que a Morte tivesse observado Liesel, a protagonista, sua vida inteira, mas não. Elas se encontram apenas algumas vezes, mas é através do diário de Liesel que a Morte descobre a verdadeira história, e gentilmente compartilha conosco.

Algumas resenhas me disseram que a Morte era sarcástica ou até divertida. Acho que essas pessoas perderam a cabeça. A Morte está cansada. Ela não é sarcástica. É, no máximo, irônica. Porque, afinal de contas, as vezes a Morte se encontra presa em ironias e não pode escapar.

A Morte tem uma fascinação por cores que deixa o livro com uma sensação onírica e deslumbrante, como se ela pintasse um quadro a cada alma que leva embora. É uma das coisas que espero ver na adaptação para cinema que estreia em breve. Uma iluminação digna e uma fotografia colorida.

Nossa narradora nos conta a história de Liesel Meminger, que, diferente de muitos protagonistas de histórias parecidas (Anne Frank, para começar), é uma perfeita alemã de cabelos loiros – embora seus olhos sejam castanhos. Depois que seu irmão morre e sua mãe a deixa, ela é adotada por um casal na cidade de Molching, próxima de Munique. Esses são Hans e Rosa Hubermann, dois dos meus personagens favoritos. Eles são pilares fortíssimos na vida de Liesel e um lembrete de que apenas 90% da população alemã apoiava o partido nazista. Markus Zuzak nos coloca dentro da casa dos 10%.

Liesel rouba seu primeiro livro antes mesmo de saber ler. E, devido ao carinho com que seu novo papai lhe ensina a ler, ela aprende a amar as palavras. Ela rouba mais, ao longo do caminho. E seu parceiro de crime é outro dos meus personagens favoritos: Rudy Steiner, de cabelos cor de limão, que implora por um beijo desde o primeiro capítulo.

O livro é um pouco parado até a chegada de Max Vanderburg, um judeu que se esconde na casa da família devido à uma promessa de guerra feita pelo papai. 

Devido à idade de Liesel, o livro inteiro soa como uma grande fábula. Podemos encontrar muitas morais nela, a maioria relacionada com a quebra de padrões que temos da Alemanha Nazista, mas eu prefiro ampliá-la para aplicar ao nosso dia a dia.

  • Moral #1: Muito semelhante à moral de Cloud Atlas (A Viagem), já resenhado aqui, o livro mostra que todas as nossas escolhas têm consequências. Cada caminho que você escolhe em cada encruzilhada vai contribuir para o seu destino final. É o livro mais cheio de “E se” que eu li nos últimos tempos.
  • Moral #2: A Morte não é injusta. Ela só está fazendo o seu trabalho.
  • Moral #3: A literatura não só muda, como salva vidas.
  • Moral #4: Os seus atos de bondade, a sua gentileza, nunca passam despercebidos.

RECOMENDO esse livro aos aficcionados pela Segunda Guerra (na minha opinião, gente doida) e para os filósofos de bar.

NÃO RECOMENDO para os leitores água com açúcar devido ao seu forte teor de palavrões, violência e filosofia pesada.

 

3 comentários sobre “RESENHA // A menina que roubava livros

  1. pamella louise disse:

    amei o livro, esperei ansiosamente para assistir o filme. sou aficionada pela a segunda guerra mundial,não sou doida e nem filosofa de bar,sou conhecedora de história e amo literatura.

  2. Evandro Fadel disse:

    Fantásticos o livro e seu comentário. Adoro ler não só sobre a Segunda Guerra Mundial, mas tudo o que retrata história. Reconheço: sou doido.

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