RESENHA // My Little Pony – Friendship Is Magic

**ATENÇÃO: Este artigo é brony-friendly. Brohoof!

Pare.

Peço que, a medida que seus olhos rolam por essa tela, você deixe para trás todo o seu preconceito e leia este artigo com a mente aberta e seriedade de quem vê o mundo pela primeira vez.

My Little Pony não é um conceito novo. Esta é, na verdade, a quarta geração do desenho. A primeira geração costumava passar na televisão nos anos 80. Era feita para vender brinquedos e as histórias nunca tinham muito peso.   A geração 2 veio um pouco depois: Foi produzida em 1997 e foi ao ar em 1998. O desenho não era mal, mas todas as personagens eram construídas no esteriótipo da menina perfeita. A geração 3 foi onde tudo desandou e esses pôneis, tão queridos, ganharam seus esteriótipos de “retardados” e “para criancinha”. Os filmes e brinquedos foram produzidos de 2003 à 2011. O fim dessa geração foi marcado por uma suavização de seus traços, na geração 3.5, que não era muito melhor que a anterior.

Mas então, emergindo do que parecia perdido, surge Lauren Faust com uma nova proposta: Começar praticamente do zero e criar uma nova geração de pôneis. Mas a proposta de Lauren não era repetir o mesmo erro das gerações anteriores e criar apenas pôneis. Era criar toda uma civilização baseada nos pôneis. 

As cutie marks que anteriormente eram decalques nos flancos das pôneis ganharam uma mitologia. O reino dos pôneis ganhou nome e governantes: Equestria e Princesas Celestia e Luna que, por sua vez, também tem uma mitologia girando ao seu redor. Os pôneis foram divididos em três categorias: Pôneis terrestres, unicórnios e pégasos, cada um com suas potencialidades e defeitos.

A história da quarta geração começa com Twilight Sparkle, uma brilhante unicórnio que é a aprendiz mágica da Princesa Celestia. Apesar de sua inteligência, Twilight apresenta um falho traquejo social, o que leva a Princesa a enviá-la a Ponyville, para que ela possa aprender o poder da amizade.

No episódio piloto, quando Twilight chega à Ponyville, incumbida de verificar os preparativos para a noite mais longa do ano – na pista de um grande acontecimento que poderia trazer à Equestria uma noite eterna – a unicórnio conhece suas novas melhores amigas: Applejack, Pinkie Pie, Rarity, Rainbow Dash e Fluttershy.

Cada uma delas personifica um dos elementos da harmonia: Jóias mágicas que, unidas, possuem poderes ainda desconhecidos pelos pôneis. Twilight personifica a magia. A fiel Applejack, a honestidade. A festeira Pinkie Pie, a risada. A feminina Rarity, a generosidade. A tímida Fluttershy, a gentileza. E a selvagem Rainbow Dash, a lealdade.

Paralelo às meninas ainda encontramos mais alguns personagens interessantes: Spike e as Cutie Mark Crusaders, sendo essas últimas, minha parte favorita do show.

Spike é o dragão bebê que vive com Twilight. Não é certo o que ele é: Um aprendiz, um amigo ou algo entre os dois, mas a verdade é que o pequeno é um elemento chave para o desenho. Com suas sacadas irônicas, Spike sempre levanta o astral quando tudo parece ir por água abaixo.

As Cutie Mark Crusaders são um drama paralelo ao de Twilight e suas amigas. Apple Bloom, uma pônei terrestre, Sweetie Belle, uma unicórnia e Scootaloo, uma pégaso são o trio explosivo. As três são o que se chama de flanco em branco: Ainda não encontraram seus talentos e, portanto, ainda não tem suas cutie marks (marca no flanco do pônei que denomina seu talento especial).

Os trocadilhos com termos equinos (Fillydelfia, por exemplo), os aparelhos adaptados aos pôneis e as casas nas nuvens dos pégasos são mais detalhes de adicionam veracidade à histórias que, em geração anteriores, não teriam feito sentido.

Mesmo depois de toda essa resenha, ainda vou ouvir o inevitável: Isso é um show para crianças e você não deveria estar assistindo.

Será que não?

Fandom, na linguagem da internet, significa Fan Kingdom (Reino de Fãs) e cada um tem seu nome: Fãs de Harry Potter são Potterheads, fãs de Percy Jackson são Half-Bloods e existe até mesmo o SuperWhoLock (Uma mistura de fãs de Supernatural, Doctor Who e Sherlock, que, por razões que desconheço, existe num mesmo fandom).

Os fãs de MLP: FiM se auto-intitulam Bronies (Bro’s = irmãos/camaradas/diminutivo de brothers + Ponies = Pôneis). Agora, porque os fãs de MLP possuem uma denominação masculina? Pelo simples fato de que, sem que ninguém esperasse ou chamasse essa audiência, o maior número de expectadores do show são, na verdade, homens adultos, normalmente empregados, com uma média de 22 anos. O fenômeno é tão extraordinário que deu origem à um documentário:

Bronies: The Extremely Unexpected Adult Fans of My Little Pony

Também conhecido como Brony-Con – O documentário, o filme explorou a fundo o fenômeno Brony, que reúne fãs pelos Estados Unidos, Europa e até países mais longínquos, como Israel e Cingapura (Esta última tendo até sua própria convenção).

Um bando de desocupados e pervertidos! Não tão rápido, hater! Foi feita, e está inclusa no documentário, a avaliação psicológica de alguns desses fãs. Além de um pouco de introversão, não há nada de errado com os bronies além de uma felicidade contagiante e criatividade latente.

Além de cativar adultos, My Little Pony – Friendship Is Magic (ou A Amizade é Mágica) pode fornecer grandes lições de vida aos pequenos – embora os episódios mais recentes estejam ficando mais difíceis para a compreensão infantil devido ao público mais exigente. O show traz de volta alguns valores que parecem ter se perdido no meio do caminho mas que são indispensáveis à vida humana: Honestidade, generosidade, gentileza, lealdade, risada e até mesmo magia.

Por fim, depois de todas essas razões e argumentos para assistir à série, sinto-me segura e protegida para dizer que RECOMENDO e não somente às crianças, mas a qualquer um que seja capaz de permitir-se ser envolvido por uma trama diferente livre de qualquer pré-conceito que tenha sobre os pôneis coloridos da sua infância.

Sou Brony com orgulho (embora prefira o termo Pegasister / Pegasus = Pégaso + Sister = Irmã) e espero que você se torne também.

Para quem deseja ver uma palhinha do documentário e entender um pouco mais do fenômeno Brony, esse vídeo é o feijão com arroz da cultura pônei e inspirou esse artigo:

Brohoof!

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