O gigante adormecido – #ChangeBrazil

As lendas contam a história de um gigante de terra adormecido, deitado eternamente em um berço esplêndido. Os bosques que cresciam em suas costas tinham mais vida do que todos os outros, nas margens plácidos dos seus rios cristalinos e montanhas douradas respladeciam ao sol da liberdade e seus raios fúlgidos. 

E sobre esse impávido colosso sentou-se pela primeira vez apenas um homem sobre uma cadeira feita do dourado das montanhas do titã adormecido, retirado contra a sua vontade. E sem que o gigante percebesse, mais homens se seguiram a eles, se multiplicando e criando ordens de hierarquia, mesmo que no fundo, apenas poucos deles detivessem seu poder. 

Suas montanhas se tornaram covas ocas de uma riqueza que deixou as costas do grande ser para nunca mais voltar, alimentando as bocas e luxos de outras pessoas em outros gigantes. As lindas flores nos risonhos lindos campos morreram e os bosques cheios de vida foram derrubados para fazer dinheiro e plantar uma riqueza temporária, um ouro de uma cor não natural. A fumaça da fábrica manchou o lábaro estrelado entrando nos pulmões do gigante, prendendo um grito de protesto em sua garganta. A tela de TV instalada pelos homens sobre ele o impediam de agir.

Um belo dia um ladrão desbravava o local até encontrar o bolso do gigante, onde ele guardava duas moedas preciosas. Quando sente que foram roubadas, ele abre seus olhos.

Tais moedas não eram mágicas. As duas moedas não foram o que o fez levantar. As duas moedas não trariam de volta tudo o que lhe fora tirado. Não consertariam todos os erros ou apagariam os abusos cometidos sobre as suas costas.

E então ele se levantou e com um brado retumbante anunciou ao mundo:

“O povo brasileiro acordou”. 

—– x ——— x ——–

Estamos vivendo um momento, senão ímpar, no mínimo diferente na história do nosso país. O povo finalmente se cansou de ficar assistindo ao mundo passar pela janela. Bem, já era tempo. 

Não me sinto em uma posição de julgar. Não acho ético da minha parte não ouvir as duas partes da história, embora talvez a outra parte nunca seja verdadeiramente justificada. 

Sobre a hashtag, assista à este vídeo. Ele tem legendas em português. Adira à campanha:

http://www.youtube.com/watch?v=AIBYEXLGdSg&feature=youtu.be

Flores de plástico não morrem

Tenha a idade que tiver, se você mora no Brasil – e não está exilado em uma ilha há uns 30 anos – você provavelmente conhece os Titãs e a Marisa Monte.

Talvez você saiba que, em parceria, eles cantaram e gravaram a música “Flores”, que parece ter feito muito sucesso – se eu a conheço, acredite, deve fazer um baita sucesso.

Bem, a questão, é que é uma música dançante, com um ótimo background, e um refrão que pega. Ao ouvi-la pela primeira vez, você já tem uma pequena ideia de que ela é profunda, mas honestamente, você já parou para pensar acerca do significado de uma música? Já encontrou algo que não havia encontrado pela primeira vez?

Mas porque estou falando disso? Todos os artistas envolvidos na criação dessa música estão habituados a letras complexas, e de significado não tão facilmente acessível. É assim que eles conquistam sua plateia.

Um dia, sem nada para fazer, sozinha com meus fones de ouvido, escutei essa música à fundo. Debulhei-a. Escutei até que soubesse todas as palavras decoradas. Imaginei que elas fossem poesia e que eu tivesse que interpretá-la. E me surpreendi com o resultado.

Acontece que a música fala sobre um suicídio. Já tinha notado isso?

Preste atenção:

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